A sopas

A sopa é muito mal tratada no imaginário alimentar: para bebés e velhos, para despachar, para aquecer, para entrada ou para   encher o bandulho.Serve para tudo isso, sim, mas é muito mais do que isso.
A mais velha tem 15.000 anos. Nem seria bem uma sopa, seria o prato principal. A nossa sopa de feijão, a sopa seca da Beira  Baixa,  a sopa da chanfana, a minestrone, a bouillabaisse, enfim, tantas também o são. É aqui que  a coisa começa: quem quiser aprender a cozinhar  inicie-se pelas sopas.

Ao longo dos anos transportei  muitos ensinamentos das sopas para o resto da vitualhas.  O caldo é o orgão básico. Compreender o tempo da transformação ,  os sucos e aromas que se vão formando,  a alteração das texturas, tudo isso se aprende a fazer sopa. Um arroz de bacalhau , ou de pato, uma açorda de camarão, o molho de um capão no forno: todos beneficiam  da mestria do caldo inicial.

Depois há a reminiscência do grupo humano.Um caldeirão de sopa ao lume e  levado para mesa, umas talhada de pão grosseiro  e um copo de vinho. Gente à mesa com fome , risos  e segredos. 
O Benfica até pode jogar mal que ninguém liga.

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