O medo das redes sociais

Não tenham ilusões nenhumas. Muitos dos que contorcem com o nojo das redes sociais, o esgoto a céu aberto  etc, deliciam-se com piadas sobre a cabeça rapada da mulher de Passos com cancro e fazem likes. Ou seja,  e como sempre, elas são esgoto se forem contra os nossos, piadas giríssimas se forem contra os outros. O osso é outro.

Tal como no caso do  racismo, um país  não muda assim tão facilmente. O que está em causa é o controlo da populaça: da voz do merceeiro, da meerceeira, do taxista, da cabelereira, da taxista, do cabeleireiro. Tanto no salazarismo como no esquerdismo, a ideia foi sempre a de formar, a de educar a populaça. Nas legislativas  de 1938, Salazar prometeu refrescar a Assembleia Nacional. Escrevia-lhe um amigo:  sim, mas nunca voltando ao parlamentarismo de soalheiro e  da intriga.

É por isso que quando nas redes sociais o esgoto é contra os outros, as redes sociais são a voz do povo que os fascistas querem calar; quando o esgoto é contra os nossos, é uma vergonha que urge regular. 
Não é por acaso que às  velhas próteses da voz  da populaça, os  jornais, todos os regimes concentracionários ( de Pinochet a Fidel) dedicaram  um especial  enlevo: ficaram "os bons".

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