Sinais ( 1)

Os telefones convencionais  não alteraram uma cultura da escrita. Em 1982, Walter Ong escrevia que  a escrita dava  ao  grafolect ( uma escrita estandardizada, como o inglês) um poder  muito maior do que qualquer dialecto puramente oral. Pois, mas também vaticinava que a palavra falada resistia, porque toda  a escrita tinha de se submeter  ao mundo do som. 

Os telemóveis são particularmente interesantes no fim das relações amorosas. Quantas vezes  uma mulher me diz : Ele acabou comigo por SMS.  A bem dizer, a tecnologia não mudou nada de essencial  no mundo das rupturas amorosas.A queixa da mulher seria  a mesma se ele tivesse chegado à mesa do café e tivesse vocalizado está tudo acabado.
Então o que mudou? Talvez o que muda sempre com a tecnologia: a velocidade do processo.

Isto levanta o problema de saber o impacto da velocidade na comunicação e, no caso analisado, na ordem amorosa. A velocidade implica a solidão do actor comunicacional. Fica o único  responsável pela duração da interacção. Quando se namorava por carta ninguém desligava o telefone ( convencional) na cara de ninguém.

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