Tachos, panelas e nostalgia ( 1)

No no período em fui cronista na revista Ler, fiz uma série  aproveitando a tirada do Eça: somos o que comemos. Vou agora colocar aqui no blogue outras notas, noutro sentido. O foco ( não exclusivo)  vai ser na mesa de casa. Nos restaurantes  já não se pode fechar  o jantar com o belo  fumo, mas os cães  podem entrar. Lugares estranhos.

Uma das batalhas perdidas é a da simplicidade. Se  disser  à cria mais nova, adolescente,  que o almoço é um prato de grelos ( de nabo) e batatas caseiras ( das pequenas bancas do mercado geridas por matusaléns femininas sorridentes)  regado com azeite de lei ( de azeitonas que não esperaram quinze dias para ir à prensa e por isso não acidulam o suco), ela não acredita.
A simplicidade tem de acasalar com a qualidade, claro. Nos supermercados vendem-se grelos que sabem  a a fundo de copo de cerveja da véspera. Ainda assim, isso não ofusca o essencial: por muito bons que sejam os grelos  e as batatas ( e o azeite), se não há  batatas fritas não há mundo.
Nestes dias ainda gelados de Abril, uma outra  sugestão prandial que nos reconcilia com as artroses é  a nabada. Aprendi-a com a cozinheira  dos meus sogros. Tuberosas pequenas e caseiras ( óbvio) na panela com água, azeite, uma cebola  e um dente de alho. Podendo cativar o conjunto com uma nesga de alecrim ou carqueja, beleza. O caldo fica entumescido e o nariz também come. Uma fatia de broa ao lado do prato compõe a harmonia. Enfim, não há batatas fritas...

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