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E tem twitter

Depois da bandeirada António Ferro, temos mais uma. Só agora percebi as encomendas: adoçar a proposta da legalização da canabis medicinal. Pelo meio atropela-se   o abc da história das intoxicações sem nenhum problema. Não é do Correio da Manhã, é do Guardian:
In 1977, in the north of the country, psychiatrist Eduíno Lopes pioneered a methadone programme at the Centro da Boavista in Porto. Lopes was the first doctor in continental Europe to experiment with substitution therapy.
Acontece  que na continental Europe, os suecos, que julgo  não serem da  Ilha da Páscoa, já tinham começado a tratar toxicodependentes  com metadona em...1966. O próprio Eduíno explicava  isso. A única parte  verdadeira do parágrafo citado  é o desprezo a que foi votada a iniciativa de Eduíno Lopes.  Coitado, remou sozinho. Por volta de 91/92 lembro-me que recusei  assinar um documento interno do SPTT ( na altura o serviço oficial de toxicodependências) a condenar  o seu programa de metadona. A esmagadora maior…

Dispensava-se o estilo António Ferro

"Quinhentos anos depois de ter dado a conhecer ao mundo ocidental os efeitos medicinais da canábis, e noventa anos depois de ter pela primeira vez regulamentado o seu uso médico, Portugal pode estar prestes a voltar a fazer história".
Por acaso já Rabelais tinha dedicado o capitulo XLIX do Gargantua & Pantagruel  à cannabis antes da primeira edição dos Colóquios de Orta, chamando-lhe Pantagruleon.  No Oxfordhire, as sementes do canhamo eram usadas em rituais  divinatórios ligados ao casamento das moçoilas. Um bocadito antes, Galeno e Plínio o  Velho recomendaram-na para regular o trânsito intestinal. Etc.
Por mim, já há muitos anos que escrevi e publiquei sobre o assunto : todas as drogas deviam poder ser adquiridas  mediante  receita médica  ( como os americanos fizeram com  Harrison Narcotic's Act de 1914 que esbarrou  depois nos dementes  da Lei Seca). Aqui  um pequeno resumo e aqui uma entrevista  que dei ao Observador. O que não é necessário é o tom gongórico .


José Gomes Ferreira

Mais um poeta  comunista, mais  uma voz tonitruante como eram todas as dos militantes. Gosto neste grupo do compromisso entre  a tarefa política e a expressão  poética. Sendo a poesia, a verdadeira, o anti-destino - não serve para nada, não serve nada -,  como toda  a arte,  o trabalho de reconciliação  devia ser doloroso e merece respeito. Uns versos que julgo serem exemplo do que digo. Belíssimos, crus em qualquer tempo de servos:
Todos os velhos a pedirem esmola para entrarem humilhados na morte Todos os filhos a implorarem de joelhos: não me batas paizinho! Todas as traições, todas as ânsias, todos os soluços, todas as mãos de cardos hirtos.

Imaginem

Que isto era entre um  velho político machista  e uma jovem jornalista de causas. Imaginem ter sido dado como provado o remexer na pita por diversas vezes. Imaginem a pena suspensa e o viver comum.
Pois, mas como foi com mais uma miúda, nada a fazer. A pedofilia é muito bem compreendida em muito  activismo feminista: como dizia um imbecil no twitter, esses miúdos andam a pedi-las.

PSD ( 13)

Estas eleições no partido são a réplica fiel de quaisquer outras de alto coturno : concelhias, distritais, Andorinha FC ( por acaso tem um campo catita, joguei lá muitas vezes). Quem insinuou o quê, quem gosta menos do Costa ,  quem responde ao ataque torpe. Rio e Santana, quais celebridades de hospital, passeiam pelos corredores, muito compostos e atentos.
O partido, sem tasgalhos de festim para roer, optou por esta via.  Será uma questão de tempo até se perceber que o tempo tem pouco tempo. Até aceitarmos que o aparelho ( o da carne assada e o ludita dos comentadores) ensebado é irreformável. Nenhum drama: a mitose política não é proibida.

Weinstein à Bulhão Pato

Estranho muito que  não tenha havido denúncias  no nosso meio do teatro, da música,  do cinema e dos media.  Nenhuma actriz, jornalista ou  cantora  denunciou apalpões, sexo  forçado e outras calhandrices. É notável. Num país em que trata  desta forma as mulheres, ficamos  a saber que  os actores, realizadores, cantores, e jornalistas são zelosos respeitadores da integridade  moral e física da senhoras.
Talvez a explicação resida no facto de a esmagadora maioria dos músicos, jornalistas, realizadores  e actores ser humanista e  solidária, enfim, estar nos antípodas dos Trumps desta vida. Um exemplo para o mundo.