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A mostrar mensagens de Dezembro, 2017

Eleemon ( 6)

Em muitas  línguas, portanto, em muitas culturas, a frieza tem má fama. Dizer-se de alguém que é frio, ou que actuou ou falou com frieza, é passar um atestado de desumanidade.  Pode não ser assim. É melhor  o teu escravo ser mau do que tu seres destemperado é uma das regras  da casa da ataraxia. Substitua-se o escravo da peculiar ( e curta) democracia grega por empregado, mulher, vizinho, irmão, o que se quiser.
A frieza não tem  de remeter para  a indiferença. Pode ser  a capacidade  de autocontenção, de pensar duas vezes antes de falar ou actuar. Pode, sobretudo, ser  uma frequência baixa ainda que imperceptível aos ouvidos ansiosos. Assim sendo, temos aqui  uma forma de intimidade: disciplinando as paixões, reservando-as para quem as merece.

Eleemon ( 5)

O sentimento de posse é indiferente à relação entre o género a cor do brinquedo  e é muito mais potente e duradouro. Vemos crias de leões a disputar um pequeno pau com o projecto de ferocidade com que mais tarde hão-de  se encarniçar pela carniça.
Tal  como em criança, o adulto  entende a posse como elemento que regula a hierarquia e é por ela regulado. O chefe de família, o cabeça de casal, o patrão, todos são exemplos da relação sintagmática. No futebol, é o árbitro que leva a bola e  a recolhe no final da partida.
Na  sentença salomónica, a verdadeira  mãe diz não cortes o meu filho, a outra diz  corta o bebé, assim ninguém fica com ele. Um bocado como o desvairado que antes de matar a mulher  avisa se não és minha, não és de mais ninguém.
A posse tem afinal a sua redenção, mas a cultura terá de  evoluir,  entendê-la para além das aparências de igualdades secundárias.

Eleemon ( 4)

Robert Frost viu o filho morrer ( suicidou-se),  a irmã internada ( doente psiquiátrica)  e  a mulher  morrer;  tudo num curto período. Continuou a publicar e a coleccionar prémios. A vida familiar roda numa pista separada. Nem todas são assim tão trágicas, mas todas  recordam perdas. E também  de vivos.
Dizemos que construímos  uma família, mas é uma projecção amável e uma mutação constante. Se muitas vezes a projecção dura bastante, noutras as  peças escapam-se-nos, o desenho nunca condiz com a ideia original.
A família que  fazemos desfaz-se com a mesma matéria que usámos : o tempo. Podemos comprová-lo  nestes lugares.

Eleemon ( 3)

Os moralistas antigos não exportavam o seu exemplo pessoal, traçavam linhas mais largas.  Caio Rufo, um estóico pouco conhecido ( só ficaram fragmentos), entendia que os deuses  puseram umas coisas sob nosso controlo e outras não.  Sob nosso controlo, dizia Rufo ( fragmento 38),  os deuses puseram  a capacidade de usarmos a razão para sermos justos, bons e respeitadores. Fora  do nosso controlo os deuses deixaram tudo o resto.
Tudo o resto que não controlamos deixa-nos  a possibilidade de confiar no universo e ceder-lhe o que ele pedir: os nossos filhos, o nosso país, o nosso corpo. Isto não é para todos, mas sempre é melhor do que o moralismo beato  da senhora Palin.

Eleemon ( 2)

Uma mulher muito velha perdeu tudo no fogo numa aldeia perto de Santa Comba. Tudo é o recheio da casa de uma vida. O vestido com que se casou, as cadernetas  escolares dos filhos.  O que me vale é  a ajuda das pessoas.

A nossa máxima solidariedade exprime-se através da maior desgraça do outro. É natural. É como se houvesse um centro gravitacional  de tal modo forte que nos expurga da indiferença ordinária.

Eleemon ( 1)

A maldade é um  artifício da sobrevivência. Ser mau significa  não ter descoberto outra forma de  conseguir o que se precisa. Pode ser  para satisfazer uma necessidade ou um desejo. Por exemplo, uma dose  de uma qualquer substância ou o amor de alguém que o quer dar a outro.

O critério moral é um luxo de quem não precisa de nada, de quem consegue não precisar de nada.

A retórica do isolamento natalício

Tenho a casa ocupada por uma  série de adereços. Plantas, bonecos ( alguns desconhecidos), coisas que parecem  quadros, bolas, estrelinhas, coisas de tecido ou lá o que são, enfim, uma parfernália de motivos. Não posso deixar de pensar como seria  a minha  casa no Natal  se vivesse sozinho em vez  de habitar com duas mulheres:  a minha ( será que ainda se pode dizer assim?) e uma cria quase adulta (  a outra já só vem nas férias).
Imagino  um grande  quadro com  todos  os jogos da liga inglesa,  deste período do boxing day, encostado a uma parede.  Imagino  um presunto de Vinhais montado no aparador  da sala e a salvo de olhares rosnantes sobre  a esterqueira dos fiapos do pernil do reco.  Imagino um par de enormes sacos de roupa suja à porta e prontos  a irem para a lavandaria quando  eu puder.  Imagino um prato, talheres e um copo no lava-loiça, numa espectacular minimização de recursos continuamente aproveitados.  Imagino uma cama sempre pronta a utilizar  e uma mopa ( bela invenç…

O medo das redes sociais

Não tenham ilusões nenhumas. Muitos dos que contorcem com o nojo das redes sociais, o esgoto a céu aberto  etc, deliciam-se com piadas sobre a cabeça rapada da mulher de Passos com cancro e fazem likes. Ou seja,  e como sempre, elas são esgoto se forem contra os nossos, piadas giríssimas se forem contra os outros. O osso é outro.
Tal como no caso do  racismo, um país  não muda assim tão facilmente. O que está em causa é o controlo da populaça: da voz do merceeiro, da meerceeira, do taxista, da cabelereira, da taxista, do cabeleireiro. Tanto no salazarismo como no esquerdismo, a ideia foi sempre a de formar, a de educar a populaça. Nas legislativas  de 1938, Salazar prometeu refrescar a Assembleia Nacional. Escrevia-lhe um amigo:  sim, mas nunca voltando ao parlamentarismo de soalheiro e  da intriga.
É por isso que quando nas redes sociais o esgoto é contra os outros, as redes sociais são a voz do povo que os fascistas querem calar; quando o esgoto é contra os nossos, é uma vergonha q…

Vivi para ver isto

A alzheimerizaçao da sociedade  portuguesa: jornalistas  difundem as ideias do Toto Rinna  da Cedofeita sobre  a necessidade da justiça  e do primado da lei.
Se mais provas fossem precisas da comedia, aí estão elas.

Os telemóveis, os emails e os neosonsos

Isto feito pelos mesmos cujos apoiantes  perguntam  no twitter muito compungidos: mas por que raio queria o SLB os contactos dos árbitros?
Mil vezes um Soprano  de lei a um neonsonso.

Terapia (12)

Mulheres verdadeiramente   capazes. Tenho conhecido algumas  ao longo destes quase trinta anos de clínica. O meio militar está diferente, mas  não tanto assim desde que lá passei um ano e meio. Em terapia há um factor que, em regra, distingue as mulheres dos homens: o compromisso com o trabalho. Quando começam é para acabar e sem pieguices.
É verdade que a esmagadora  maioria das terapias que faço é com mulheres, por isso esta análise pode ser tendenciosa. Seja como for, é notável como com elas funciona o humor, o riso, os pequenos momentos de descontracção. E também registo que aguentam muito melhor o meu estilo, digamos,  pouco ortodoxo:  mostram uma capacidade notável  de distinguir o essencial do acessório.

Cortina de ferro

O cravar de fascista tem raízes longas. Aqui João Gil à fala com Pragal da Cunha dos Heróis do Mar.
Sá Carneiro, lembro-me eu, era classificado como fascista por muitos que agora o endeusam como exemplo do PSD personalista  de centro-esquerda.
Este clima permite que o autor do não sejam piegas seja um piegas ao pé dest'outro autor dest'outra frase.

E tem twitter

Depois da bandeirada António Ferro, temos mais uma. Só agora percebi as encomendas: adoçar a proposta da legalização da canabis medicinal. Pelo meio atropela-se   o abc da história das intoxicações sem nenhum problema. Não é do Correio da Manhã, é do Guardian:
In 1977, in the north of the country, psychiatrist Eduíno Lopes pioneered a methadone programme at the Centro da Boavista in Porto. Lopes was the first doctor in continental Europe to experiment with substitution therapy.
Acontece  que na continental Europe, os suecos, que julgo  não serem da  Ilha da Páscoa, já tinham começado a tratar toxicodependentes  com metadona em...1966. O próprio Eduíno explicava  isso. A única parte  verdadeira do parágrafo citado  é o desprezo a que foi votada a iniciativa de Eduíno Lopes.  Coitado, remou sozinho. Por volta de 91/92 lembro-me que recusei  assinar um documento interno do SPTT ( na altura o serviço oficial de toxicodependências) a condenar  o seu programa de metadona. A esmagadora maior…

Dispensava-se o estilo António Ferro

"Quinhentos anos depois de ter dado a conhecer ao mundo ocidental os efeitos medicinais da canábis, e noventa anos depois de ter pela primeira vez regulamentado o seu uso médico, Portugal pode estar prestes a voltar a fazer história".
Por acaso já Rabelais tinha dedicado o capitulo XLIX do Gargantua & Pantagruel  à cannabis antes da primeira edição dos Colóquios de Orta, chamando-lhe Pantagruleon.  No Oxfordhire, as sementes do canhamo eram usadas em rituais  divinatórios ligados ao casamento das moçoilas. Um bocadito antes, Galeno e Plínio o  Velho recomendaram-na para regular o trânsito intestinal. Etc.
Por mim, já há muitos anos que escrevi e publiquei sobre o assunto : todas as drogas deviam poder ser adquiridas  mediante  receita médica  ( como os americanos fizeram com  Harrison Narcotic's Act de 1914 que esbarrou  depois nos dementes  da Lei Seca). Aqui  um pequeno resumo e aqui uma entrevista  que dei ao Observador. O que não é necessário é o tom gongórico .


José Gomes Ferreira

Mais um poeta  comunista, mais  uma voz tonitruante como eram todas as dos militantes. Gosto neste grupo do compromisso entre  a tarefa política e a expressão  poética. Sendo a poesia, a verdadeira, o anti-destino - não serve para nada, não serve nada -,  como toda  a arte,  o trabalho de reconciliação  devia ser doloroso e merece respeito. Uns versos que julgo serem exemplo do que digo. Belíssimos, crus em qualquer tempo de servos:
Todos os velhos a pedirem esmola para entrarem humilhados na morte Todos os filhos a implorarem de joelhos: não me batas paizinho! Todas as traições, todas as ânsias, todos os soluços, todas as mãos de cardos hirtos.

Imaginem

Que isto era entre um  velho político machista  e uma jovem jornalista de causas. Imaginem ter sido dado como provado o remexer na pita por diversas vezes. Imaginem a pena suspensa e o viver comum.
Pois, mas como foi com mais uma miúda, nada a fazer. A pedofilia é muito bem compreendida em muito  activismo feminista: como dizia um imbecil no twitter, esses miúdos andam a pedi-las.

PSD ( 13)

Estas eleições no partido são a réplica fiel de quaisquer outras de alto coturno : concelhias, distritais, Andorinha FC ( por acaso tem um campo catita, joguei lá muitas vezes). Quem insinuou o quê, quem gosta menos do Costa ,  quem responde ao ataque torpe. Rio e Santana, quais celebridades de hospital, passeiam pelos corredores, muito compostos e atentos.
O partido, sem tasgalhos de festim para roer, optou por esta via.  Será uma questão de tempo até se perceber que o tempo tem pouco tempo. Até aceitarmos que o aparelho ( o da carne assada e o ludita dos comentadores) ensebado é irreformável. Nenhum drama: a mitose política não é proibida.

Weinstein à Bulhão Pato

Estranho muito que  não tenha havido denúncias  no nosso meio do teatro, da música,  do cinema e dos media.  Nenhuma actriz, jornalista ou  cantora  denunciou apalpões, sexo  forçado e outras calhandrices. É notável. Num país em que trata  desta forma as mulheres, ficamos  a saber que  os actores, realizadores, cantores, e jornalistas são zelosos respeitadores da integridade  moral e física da senhoras.
Talvez a explicação resida no facto de a esmagadora maioria dos músicos, jornalistas, realizadores  e actores ser humanista e  solidária, enfim, estar nos antípodas dos Trumps desta vida. Um exemplo para o mundo.

Terapia (11)

A lalangue  diz que a má consciência  é uma autopunição , uma interiorização do impulso agressivo dirigido ao self. Fez tanto caminho que já gastou as rodas. Funda-se, de Nitezsche ao Freud inicial ( o tardio é outra conversa) , na ideia do homem maravilhoso se livre  da repressão social, ou seja, do cristianismo. Os budistas falavam de dez males terríveis a evitar , entre eles, o matar, o roubar e o sexo  impróprio; tudo  muito antes de Cristo se ter empinado na cruz. Deixemos essa lalangue de  descerebrados.
A má consciência  tem um aspecto  terapêutico axial. Notei, ao longo dos anos, que faz as pessoas melhores. Gente que placidamente ignorava  os efeitos das suas acções nos outros, torna-se capaz de os sentir como se os tivesse sofrido. Isto  transforma-os, finalmente, em humanos: animais sem sossego.

Será

O responsável do PS por isto  também benfiquista, comentador de TV e do CM e  populista desbragado de extrema -direita e nazi-fascista?
Ou será apenas um caracol? Ou hesitante compulsivo? Mistérios.


afael Soares, líder da Associação Social Recreativa e Cultural Cigana de Águeda, acusa o PS de não aceitar a inscrição de 200 novos militantes, de etnia cigana, com residência no distrito de Aveiro. "Não temos uma resposta oficial, mas sabemos que o PS está a colocar entraves nas inscrições. Não percebo o porquê, somos cidadãos com os mesmos direitos que toda a gente" diz ao CM Rafael Soares, mentor das inscrições no partido

Ler mais em: http://www.cmjornal.pt/politica/detalhe/associacao-cigana-critica-ps-por-travar-200-militantes?ref=HP_Grupo1 Rafael Soares, líder da Associação Social Recreativa e Cultural Cigana de Águeda, acusa o PS de não aceitar a inscrição de 200 novos militantes, de etnia cigana, com residência no distrito de Aveiro. "Não temos uma resposta o…

Não me parece boa deia

Nove anos delituosos

Vamos  ver, depende da selecção dos textos, como é óbvio, mas para já é um bom arranque. Que tenha bom vento e parabéns.

E comem disto às colheres ( ou fingem que comem)

Terapia ( 10)

A pessoas querem limpar a consciência. Para isso não precisam de mim, têm  a psicanálise: você só foi para cama com esse seu antigo colega  para corresponder a uma fantasia sexual reprimida do seu marido .  Uma  consciência limpa é sinal de fraca memória, dizia o Mark Twain. Quero-a suja e gosto que as pessoas conservem a memória, é útil na terapia. É uma ferramenta essencial para combater a vitimização e o delírio de  grandeza, coisas que perturbam a autonomia do sujeito.
A vida é suja, a consciência  também. Aceitá-la, como se aceita a perda ou o abandono é um caminho do bosque.

Penicos

A decadência da equipa é óbvia desde o ano passado. Os que gostaram de ser campeões  a jogar um futebol de merda, sim, de merda, que estejam agora orgulhosos do que um tetracampeão anda a arrastar nos relvados. Prefiro uma época a jogar bem, à Benfica, e ficar em segundo do que ter ganho como no ano passado, à Paços. O radicalismo  anal-obsessivo prefere jogar mal e ganhar. Então agora que se sente no penico.

Looked a little like my aunt and one of my uncles

Alberto Ríos. Mãe  inglesa e pai mexicano, adepto da verse narrative, como dizem os anglo-saxónicos, com muitos poemas adaptados a música e um bom lote  prémios arrecadados. Escreve muito sobre a sua zona , Nogales. Não tem o rasgo da imagem-síntese, como os herméticos, mas  consegue  levar-nos aonde quer. Esta belíssima recordação dos cinemas e do fumo do tabaco é empinada numa identificação que todos já fizemos:


 When there were ghosts:
On the Mexico side in the 1950s and 60s,
There were movie houses everywhere
And for the longest time people could smoke As
they pleased in the comfort of the theaters.
The smoke rose and the movie told itself
On the screen and in the air both,
The projection caught a little
In the wavering mist of the cigarettes.
In this way, every story was two stories
And every character lived near its ghost.
Looking up we knew what would happen
next Before it did, as if it the movie were
dreaming Itself, and we were part of it,
part of the plot Itself, and not…

A sopas

A sopa é muito mal tratada no imaginário alimentar: para bebés e velhos, para despachar, para aquecer, para entrada ou para   encher o bandulho.Serve para tudo isso, sim, mas é muito mais do que isso. A mais velha tem 15.000 anos. Nem seria bem uma sopa, seria o prato principal. A nossa sopa de feijão, a sopa seca da Beira  Baixa,  a sopa da chanfana, a minestrone, a bouillabaisse, enfim, tantas também o são. É aqui que  a coisa começa: quem quiser aprender a cozinhar  inicie-se pelas sopas.
Ao longo dos anos transportei  muitos ensinamentos das sopas para o resto da vitualhas.  O caldo é o orgão básico. Compreender o tempo da transformação ,  os sucos e aromas que se vão formando,  a alteração das texturas, tudo isso se aprende a fazer sopa. Um arroz de bacalhau , ou de pato, uma açorda de camarão, o molho de um capão no forno: todos beneficiam  da mestria do caldo inicial.
Depois há a reminiscência do grupo humano.Um caldeirão de sopa ao lume e  levado para mesa, umas talhada de pão…

Tem toda a razão

Não falo do CDS, mas no caso do PSD é lamentável. Um partido liberal na economia tem de ser  liberal nos costumes. Na questão angolana era simples higiene política.
Pior: a crítica moral desajeitada de coerência é um sapato velho.

Do metal

A ferocidade desta mulher quase me emocionou. Se a conhecesse talvez o quase fosse de vela.  Neste meu livrito antigo conto a história de uma senhora de idade que perdeu  uma filha de quarenta  e tal anos. Filha única e vivia com ela.  Pois ainda hoje me lembro das sessões. Preferia ser desmemoriado. Não sou totalmente estrangeiro porque enterrei um filho de ano e meio, em 1998, mas vocês não conseguem imaginar  o que é uma mãe  no final da vida passar por isto. Nem eu.

PSD ( 12)

O partido está envolvido, para usar uma expressão de Eric Wolf, num projecto de desflorestação intelectual. Quem tem mais  caciques e barões, que  foi mais crítico da direcção cessante. Será um milagre se as pessoas  entenderem, quanto mais  gostarem. Aparentemente  os dois candidatos não se importam Dirão que é  injusta a   apreciação, que se têm  discutido ideias. Pois têm, as mesmas que, em qualquer  café, uma jolda  com um mínimo de cabeça discute;  ou que até eu seria capaz de alinhavar: rentabilizar  os recursos públicos, proteger os desfavorecidos,  desbloquear a iniciativa  privada etc.

A tese do Easton ( um precursor da  ecologia política via estudo das componentes das relações do sistema). Em todas as sociedades  um facto domina  a vida política: a escassez das coisas mais  valiosas. Essa escassez nunca é resolvida pelo sistema político, mas através de negociações privadas e/ou acordos  entre  as pessoas envolvidas. A  vida dos partidos não escapa a esta regra.
O que o partido…

A indepedência promulgada pelo segundo conde de Ourém

Umas vezes é uma lagarta na alface, outras é um puto mal tratado, outras ainda o capítulo  6 do Xavier Viegas.  O espírito do respeitinho permanece, redondo e gordinho, de boina na mão, diante  do senhor doutor.

PortoxBenfica, analepse

Nos tempos em que a verdade desportiva mandava, fomos lá ganhar com dois secos do César Brito. O árbitro Carlos Valente acabou espancado no balneário depois da verdade desportiva ter posto a correr  ( ainda não havia emails) que  tinha viajado no comboio  dos adeptos do Benfica. Continuaram  bom tempos da verdade desportiva. O FCP assumiu ter pago por engano a viagem do árbitro Carlos Calheiros ao Brasil. Quem hoje teria ética para assumir a coisa assim? Parecido só quando Pinto da Costa, para proteger o casamento de um familiar do árbitro Augusto Duarte, nas vésperas  de um jogo, declarou  inicialmente  ter sido surpreendido; isto  quando , estoicamente,  foi escutado  a dar-lhe as  indicações  da morada. Já não  há presidentes com H grande capazes de se preocuparem com o lanche nocturno dos desgraçados do apito nestas frias noites invernosas.
Hoje o FCP tem uma direccção nova  e ignorante e os seus adeptos desses bons tempos da verdade desportiva , todos acima dos 30 anos de idade,…