Catalunha: o dedo no dique

Só  facto de o Podemos e , de um modo geral, a esquerda espanhola apoiar a reivindicação catalã é que pode explicar o acinte com que o assunto é visto  na opinião portuguesa mais ou menos alavancada  em modos liberais.

1) É isenta de lógica a  explanação do histórico independentista  da Catalunha, estribado no tempo, na cultura e na língua. Nestes idos  de internet só um ignorante convicto  permanece  ignorante. Ou seja, o motivo  do crime  está à vista de todos.

2) O argumento da fragilização do estado espanhol é risível.  Por essa lógica ainda continuavámos no império romano. Se quisermos ir pela solidez do estado-nação, convém recordar que essa ideia  ganhou força precisamente  contra a legitimação ( auto-legitimação) de   monarquias e  teocracias. O princípio do estado-nação assenta num estado independente, com constituição escrita  e garante da igualdade entre os cidadãos.

3) O espantalho do perigo para a Europa é o mais capcioso. No desmembramento da Jugoslávia, a Alemanha forçou  a mão da Comunidade Europeia para garantir a independencia da Eslovenia e da Croácia. Num terreno minado, sem garantias de espécie  alguma. O resultado foi um massacre dentro da Europa.
Pode argumentar-se que um erro não deve ser repetido. Sim, mas importa saber de que erro falamos. A Catalunha não é balcânica, é um território  moderno e desenvolvido. 

4) As falhas do processo. Este é o argumento mais triste quando brandido por liberais. Nenhum direito à autodeterminação ( com um grão de sal...) foi alguma vez oferecido aos que a ele aspiravam.  São sempre processos imperfeitos, às vezes sujos, sim, muitas vezes  trepidantes.Só a mecânica  política desenhada no jacobino gabinete por regimes  totalitários é que nos aparece como bela, normal e tranquila.

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