O tempo dela

A açorda não é molecular-michelin-pato bravo. Por acaso até é, mas eles não sabem. Ainda não os autorizaram.

Instala-se o frio na casa como um velho amigo para um dedal de Lagavulin. O almoço tem então de ser bom, quente e fiável, mas não demorado. Se por acaso há jantarada, tambem a bela açorda se apresenta como Geraldo-Sem-Pavor à mourama. É preciso é ter amor à coisa. Deixemos de lado declinações  ( bem boas) como  as  migas ou o torricado e vamos a ela.

Pão, azeite, alho, caldo, conduto e ervas. Com isto o mundo é nosso. Se tiveres berbigão vivo, a coisa é tão simples que até dói. Se foste agraciado com um pão  como o que compro em Cavaleiro, S.Teotónio, não precisas de mais nada  a não ser coentros, poejo  e um queijo seco de ovelha para lascar entre colheradas. Por alturas de Junho, com tomate  de lei, faz-se uma vegetariana de alto lá com ela. Com camarão da costa, depois do caldo das cabeças e das cascas bem apurado, dois ovos lá dentro e é bailar. E por aí adiante.

A açorda  até é bem molecular.  Repele falsificações, extrai o sabor de todo os  participantes e combina texturas em xadrez de paladar.




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