O tempo irreparável (2)

À medida que envelhecemos, todos nos queixamos: o tempo passa demasiado depressa. Parece  irreal porque o tempo medido é sempre igual. Não é nada estúpido, porque, por exemplo, o tempo de uma aflição é muito mais longo do que o tempo de um bom jogo do Benfica.

O nosso envelhecimento  reconhece duas categorias temporais: o que já gastámos e o que o pouco que nos falta. Um geriatra  espanhol costuma dizer que só ficamos velhos quando trocamos as ilusões pelas recordações. O osso é este: os avarentos defendem o resultado, os que envelhecem  bem disputam o jogo até ao último minuto do prolongamento.

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